segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Homilia para Culto Ecumênico


Festival da diversidade Cultural – 07,08,09 e 10/10/2010
Homilia para Culto Ecumênico

Salmo 111, 7-8
Ele é fiel e justo em tudo o que faz;
Todos os seus mandamentos merecem confiança. Eles permanecem para sempre, pois se baseiam na verdade e na honestidade.
Rute 1, 1-19
A viúva Noemi manda suas noras, Rute e Orfa, voltarem para seu povo, mas Rute por livre vontade resolve assumir a fé e os costumes do povo judeu.

Lucas 17,11-19
O evangelista Lucas diz que os leprosos (portadores da doente da hanseníase) reconheceram Jesus como mestre e foram ao seu encontro, contudo ficaram a distancia.

Noemi respeita a cultura de suas noras e dá a elas a possibilidade de voltar para a casa de seus pais.
Rute livremente escolhe assumir a fé e a cultura dos judeus, com esta decisão ela ficou solidária com sua sogra Noemi, as duas estavam viúvas e sem ninguém para protegê-las.
Sabemos que, depois da chegada de Rute em Judá, ela se casou com um parente de seu falecido marido (Boaz) e está entre os antepassados do grande Rei Davi.
Podemos ter uma cultura diferente, pertencermos a igrejas diferentes, não falarmos o mesmo idioma, mas somos todos filhos e filhas do mesmo Deus Criador. Esta é uma verdade tão sólida e cristalina que não podemos duvidar.
Nosso Deus é único e verdadeiro, como diz o salmo 111: “Ele é fiel e justo em tudo o que faz; todos os seus mandamentos merecem confiança. Eles permanecem para sempre, pois estão baseados na verdade e na honestidade”.
Estamos nos alegrando neste final de semana com a nossa diversidade cultural, qual é mensagem que podemos deixar para o Brasil e para o mundo?
Acredito que nosso município, o mais pomerano do Brasil, tem em sua historia e cultura, sua maior riqueza. A nossa fé cristã veio de além mar, trazida por portugueses, italianos, alemães e pomeranos. Aqui nas terras capixabas já existia a cultura indígena e por causa da escravidão veio a cultura africana. Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas, por isso eu tenho certeza que a nossa diversidade cultural é muito bonita e com certeza é um presente que recebemos de Deus, o Senhor da história.
Quantos são os casamentos que serviram para unir famílias de costumes diferentes, quantos encontros que nos aproximam?
Infelizmente, acontecem também entre nós atitudes como discriminação racial, gerando preconceitos de todos os tipos. Até mesmo discriminação por causa de algumas doenças infecto-contagiosas.
Vejamos o relato do evangelista Lucas: Dez homens pedem a Jesus que os libertem da doença. Jesus conversa com eles e manda-os se apresentar ao sacerdócio para a purificação. Estes homens confiam em Jesus e são curados, entre eles tinha um samaritano, o único que voltar para agradecer.
A salvação que Cristo oferece está ao alcance de todos, judeus ou samaritanos, gregos ou romanos, escravos ou livres. Para isto basta reconhecer Jesus como único salvador. As manifestações culturais são diversas, mas a fé é única.
Católicos, luteranos, pentecostais, todos nós acreditamos e aceitamos os ensinamentos de Jesus Cristo como fonte de salvação para todos os povos. Aqui em Santa Maria, em vários momentos, celebramos esta fé comum. Estes momentos de celebração ecumênica reforçam para nossas igrejas a certeza de que somos irmãos na mesma fé em Jesus Cristo.
Acredito que juntos podemos crescer ainda mais em nossa fé e no compromisso com o Reino de Deus. Temos algumas diferenças, mas no principal estamos de acordo, só Jesus salva. Ele nos ensinou a viver na caridade, isto é no amor ao próximo como a nós mesmos. Mantendo acesa a chama de nossa fé, poderemos transformar o mundo levando a todos a mensagem de Jesus.
Todas as nossas manifestações culturais devem promover a harmonia e o bem estar de nossas famílias e comunidades. A agricultura, avicultura, nossa música, o artesanato, nossa política, nossa escola, nossas comunidades religiosas devem promover a dignidade de nossas crianças e jovens. Sejamos, portanto, cidadãos conscientes na condução do progresso de nosso município de Santa Maria de Jetibá.
Padre Ermindo Rapozo de Assis

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Qual é a Missão dos Cristãos no Mundo?



Estamos começando o mês de outubro com a beleza da primavera e os agitos da eleição para Presidente da República, Governadores dos Estados, Senadores, Deputados Federais e Estaduais. Esperamos que todos possam cumprir bem a sua missão de representantes do povo brasileiro; mas aqueles e aquelas que são os seguidores de Cristo pela graça do batismo estão cumprindo a sua missão de maneira consciente e responsável? Para responder a esta pergunta precisamos saber qual é mesmo a missão dos cristãos no mundo. Tenho certeza de que a nossa missão é a de levar a Boa Nova de Jesus aos povos, fazendo com que todos se tornem discípulos de Cristo, conforme lemos no Evangelho de Mateus “Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando- os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinado-os a observar tudo o que vos ordenei.”(MT 28,19-20).
Conforme acontece todo ano, a Igreja promove neste mês de outubro a campanha missionária, em 2010 traz como tema: “Missão e Partilha”, tendo os dia 23 e 24 de outubro reservado para coleta missionária em todas as comunidades católicas. Este gesto de partilha de nossas comunidades ajuda muitas comunidades católicas espalhadas em regiões de poucos missionários e muita pobreza, como é o caso de países da África e muitos municípios brasileiros na região da Amazônia. Existem padres, freiras e até mesmo leigos que vão para missão fora de suas terras, vão ao encontro dessa população sedenta de Deus e carente da atenção dos governantes. Temos notícias de que muitas comunidades ficam distantes dos centros urbanos e só recebem a visita do missionário de ano em ano, pois sãos muitos dias de viagem de barco para chegarem nestas vilas à beira dos rios.
Sejamos missionários através da nossa oração, da ação evangelizadora dos círculos bíblicos e com nossa contribuição generosa na campanha missionária.
Padre Ermindo Rapozo de Assis

sábado, 18 de setembro de 2010

Oasis de amor



Obrigado Senhor, meu Deus e Pai Bondoso, que concede a cada uma de tuas criaturas verdadeiros Oasis de amor e ternura em pleno deserto de nossas emoções! Em nossa vida, que é sempre dom divino, nós experimentamos muita aridez, causada quase sempre por nossa incapacidade de amor sem receber nada em troca. Muitas vezes queremos ser reconhecidos, elogiados pelos nossos irmãos de ministério, nossos superiores, nossos paroquianos e isto nem sempre acontece.
Diante destes momentos de solidão, encontramos consolo na contemplação de Jesus no Horto das Oliveiras, quando o Filho de Deus experimentou também a solidão. Temos todos uma missão bem específica e a nossa única recompensa vem de Deus, nosso Pai. Nunca poderemos esperar o reconhecimento humano, pois os homens são falhos, mas Deus nunca nos abandona. Seu amor misericordioso se manifesta através de pequenos acontecimentos, como o sorriso de uma criança, um aceno de mão, o cantor de um passarinho, etc.
Obrigado meu Deus, por estes pequenos acontecimentos que o Senhor coloca em minha vida de presbítero que vivo como um presente que recebi de vossa infinita bondade! Desde o tempo de Seminário, aprendi que ser padre é graça, é dom e nunca privilégio pessoal. Os elogios podem até acontecer, mas nunca irá substituir a tua graça santificadora de todos nós. Amém! Pe Ermindo Rapozo de Assis

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Senhor, ensina-me a rezar!

“Senhor, ensina-nos a rezar”, esse foi o pedido dos primeiros discípulos a Jesus. Nós também estamos aqui nesta busca de maior intimidade com Deus e sem o nosso grande mediador, Jesus Cristo, seria muito difícil. Por isso repetimos o mesmo apelo dos discípulos, para que possamos aprender com o Divino Mestre a reconhecer Deus como Pai e a todos os seres humanos como nossos irmãos e irmãs. Possamos pedir também para que venha a nós o Reino de Deus e que seja feita a vontade divina, assim na terra como no céu. Que nunca falte o pão nosso na mesa de nossos irmãos e que as nossas ofensas sejam perdoadas na medida em que perdoamos a quem nos tem ofendido. Assim seja! Pe Ermindo Rapozo de Assis

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Leitura orante do texto bíblico



Busque um lugar tranquilo, que o ajude na concentração, veja uma posição confortável, sinta seu corpo, respire profundamente e vá acolhendo todo o seu ser, sensações,sentimentos...coloque-se na presença de Deus.





  • Primeiro passo: leitura do texto, o que diz o texto? Tomar a Bíblia e ler com convicção que Deus nos fala. Criar em nós um espaço aberto a palavra


  • Segundo passo: meditaçao do texto, o que o texto diz para minha vida? Refletir, ruminar, aprofundar, repetir as palavras significativas. Deixar que a palavra encontre espaço em mim.


  • Terceiro passo: o que o texto me faz dizer a Deus? No espaço que a palavra encontrou em mim, rezar a Deus de modo espontâneo algum salmo, alguma prece que brote de seu coração.


  • Quarto passo: contemplação, ver a realidade com os olhos de Deus. no grande espaço criado por ele, onde estão os sinais de sua presença?


domingo, 4 de julho de 2010

Solenidade São Pedro e São Paulo

Celebrando São Pedro e São Paulo


Em todo recanto do nosso Brasil encontramos a devoção a estes dois grandes santos, colunas da Igreja e tão queridos de nosso povo brasileiro. Por orientação de nossos bispos, nossas comunidades eclesiais celebram no domingo seguinte ao dia 29 de junho, assim em toadas as capelas prestamos nossa homenagem a estes dois apóstolos de Jesus Cristo, que juntos levaram aos primeiros cristãos a Palavra de Deus.
Para nossa meditação, a liturgia nos apresenta a leitura de At 12,1-11, o salmo 33, 2Tm 4,6-8.17-18 e o Evangelho de Mt 16, 13-19. Como ponto principal das leituras, temos a profissão de fé de Pedro, quando Jesus afirma: “tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e o poder do inferno nunca poderá vencê-la”. Acredito que o grande fundamento de nossa Igreja é a fé em Jesus Cristo, professada por Pedro, Paulo, João, todos os outros discípulos e por cada um de nós que fomos batizados. Animados pela fé e impulsionados pela Palavra de Deus, seguindo a doutrina dos apóstolos, nós formamos comunidades. Se nossa fé é autêntica, saberemos colocar nossa confiança somente em Deus e não nos homens. Caso contrário, se existir outras motivações em nossas comunidades cristãs que não seja a fé em Jesus Cristo, podemos até nos reunir em pequenos ou grandes grupos, mas nunca formaremos comunidades de discípulos e missionários de Cristo.
Na segunda carta a Timóteo, Paulo declara: “combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Assim aprendemos com o Apóstolo dos Gentios que devemos sempre estar no combate da fé para completarmos a corrida e assim recebermos a coroa da justiça que o Senhor, o justo juiz, dará a todos aqueles que sua manifestação gloriosa. Ouvindo a Palavra das Escrituras, participando do Banquete Eucarístico, vamos fortalecendo nossa caminhada de cristãos . Sendo Igreja Católica e Apostólica, temos nosso pastor universal, o papa Bento XVI que procura nos animar e confirmar nossa caminhada de cristãos. Ele é humano e precisa sempre de nossas orações. Iluminado pelo Espírito Santo, o nosso Sumo Pontífice nos orienta e nos motiva na caminhada eclesial.

Padre Ermindo Rapozo de Assis

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Milho no Telhado

Milho no telhado numa noite quaresmal

Em minhas recordações do tempo de criança, sempre volta com o majestoso brilho da saudade o meu querido córrego do café, que na década de 60 era bem animado. As famílias que lá viviam tinham suas diversões, seus trabalhos e suas devoções. Dona Antonia, esposa do Sr Fiinho Deodato, era uma talentosa rezadeira; recordo de várias novenas em sua casa e até mesmo algumas procisões do Sagrado Coração de Jesus que eram animadas por ela e suas filhas. Entre estas práticas piedosas, merece destaque a “Encomendação de Almas” feita no tempo quaresmal.
Esta devoção, se não me falha a memória, era realizada na semana que antecede a Semana Santa, ou seja, na quinta semana da quaresma. O motivo de não ter esquecido está expresso no título, foi um susto danado, acordar por volta de 11 h da noite com o barulho do milho no telhado, sei que chorei muito e custei a aceitar que era Dona Antonia e suas filhas que estavam lá fora. Era uma movimentação grande nesta semana, rapazes e moças saiam na companhia da rezadeira, andavam de casa em casa durante a noite, só não passavam da meia noite; depois deste horário, as almas verdadeiras estavam soltas. As orações eram feitas em frente a porta principal da casa e não se abriam para receber os rezadores, que usavam sempre roupas brancas e quando chegavam jogavam milho no telhado da casa e giravam seus zunzuns (instrumento feita de madeira ou bambu, preso na ponta com um barbante) que fazia um zumbido muito estridente.
A casa do Sr Amado e Dona Maria era uma das mais procurada nesta época, foi numa dessas visitas que mamãe passou aperto para me acalmar do susto que levei com os piedosos devotos das almas benditas. Recordo que na véspera, meus irmãos mais velhos preparavam seus zunzuns e pediam a mamãe alguns lençóis brancos, eu via tudo aquilo sem entender muito o motivo de tais preparativos. Quando chegou por volta das oitos horas da noite eles foram para casa de Sr Fiinho Deodato, por volta das dez da noite é que a turma dos encomendadores de almas saiam para visitar as casas vizinhas. Assim a vida religiosa das famílias se movimentava e eu crescia num ambiente de muita fé e devoção, que hoje enche de boas recordações a minha vida aos cinqüenta anos. Por isso dou graças a Deus por todos os anos de minha infância lá nas terras de Minas Gerais que no passado já pertenceram ao Estado do Espírito Santo.