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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Nossa Senhora das Dores: rogai por nós!

Nossa Senhora das Dores! Título ou invocação muito antiga e comum da devoção mariana no mundo inteiro. Com diferentes variações: Nossa Senhora da Piedade; da Soledade; do Calvário entre outras. É a padroeira de numerosos municípios brasileiros em vários estados de norte a sul. Em Minas Gerais é a padroeira do estado invocada como Nossa Senhora da Piedade.
Esta forma de devoção centralizada nos sofrimentos de Maria encontra-se no mundo cristão por meio de paróquias, matrizes, capelas, logradouros e estátuas públicas. E pelos séculos afora tem motivado obras de arte em pinturas, painéis, literatura etc. É expressiva na história e no culto dos povos latino americanos. Talvez porque neles a maioria sofrida do povo se sente mais identificada com a Mãe dolorosa, transpassada de dores. A Semana Santa realça essa identidade no sofrer... Na verdade, a história da América Latina está marcada desde a colonização por muitas feridas: a invasão, a ocupação a ferro e fogo, os saques, a ambição pelo ouro, prata etc. Tudo isso deu ares de legalidade à escravatura dos negros e dos índios. Um rápido olhar histórico posterior constata que ao longo dos séculos a política social vem sendo uma das mais injustas do mundo na distribuição dos bens comuns, serviços de saúde, salários, direitos de cidadania. No máximo as situações civis de pobreza recebem algum alívio estatal, nunca sem fins eleitoreiros! O Brasil, mesmo supostamente indicado como a 6ª economia do mundo, é o 4º país mais pobre da América Latina. Sangram as veias da vida! Ferida, mutilada, negada, desrespeitada de mil formas por interesses materiais. Principalmente a do nascituro no seio materno e a dos idosos.
           
            Portanto, contemplar Maria com a espada de dor transpassando seu coração (Lucas, 2,35); ou de pé no Calvário junto à cruz do Filho (João, 19,25) produz um grande conforto espiritual. Reaviva a solidariedade tão desprezada pela sociedade de consumo e prazer imediatistas. Mas, invocar Nossa Senhora das Dores não expressa apenas os sentimentos da compaixão humana com o sofrimento alheio. A fé em Cristo nos leva a descobrir no histórico-bíblico das “Sete dores de Maria” a sua ‘com-paixão’ com o Salvador. As dores de Nossa Senhora têm caráter cristológico e teológico-salvífico. No momento supremo da cruz e do abandono, a Mãe das dores foi inseparável do Filho torturado, crucificado e agonizante. Estava lá de pé! Em meio a tudo o que acontecia Maria era a fortaleza viva do discipulado. Ela participou na paixão do Filho conforme a radicalidade do amor: “tendo amado mais que todos, sofreu também com ele mais que todos”. Entregou-se com o máximo amor ao querer de Deus e disse-lhe o “sim final”, o mais doloroso. Jesus, que entregava tudo ao Pai, entregou sua mãe aos discípulos (à Igreja) e vice-versa: Mulher, eis aí teu filho! Filho, eis aí tua mãe!
Pe. Antonio Clayton Sant’Anna – CSsR.  
   Diretor da Academia Marial de Aparecida     

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Em Maria, o Verbo se encarnou na história humana

“O Espírito Santo virá sobre Ti e força do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer de Ti será chamado Filho de Deus”. (Lc 1,35).
Deus escolheu para si um povo do qual viria a salvação para toda a humanidade. Maria fazia parte deste povo, era da descendência de Abrão e, como todos os seus compatriotas e membros do povo da Aliança esperavam ansiosamente a vinda do Messias. Diante do pecado, Deus promete enviar um Salvador que carregaria em seu ombro todos os pecados da humanidade Se pela desobediência de Adão o pecado entrou no mundo, será pela obediência de outro homem (Jesus) que o pecado será banido da face da terra, Será da descendência de Eva que Deus fará surgir o Messias que nascerá de uma mulher, cujo nome é Maria, “Fez-se, todavia, homem para o nosso bem; aquele que ama o homem, fez-se homem, o que não era antes, Mas fez-se homem, continuando a ser ao mesmo tempo Deus, sem mudança de espécie alguma” Padre Ermindo Rapozo de Assis

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Bíblia e o Chamado de Deus



Na Bíblia, encontramos muitos relatos de homens e mulheres, que foram chamados por Deus para uma determinada vocação. Sempre quando leio algum destes textos bíblicos, fico impressionado com a disponibilidade que cada um responde ao apelo de Deus. Às vezes, alguns até falam de suas limitações pessoais, mas logo que percebem a urgência da missão, não duvidam e se lançam nas mãos de Deus.
No Antigo Testamento, aparecem os primeiros vocacionados, Abraão e Sara que são escolhidos para acolher a Palavra de Deus, tornando-se um povo numeroso (Gn 12). No Êxodo, encontramos a história de Moisés, que aos poucos vai tomando consciência de sua missão e assim liberta o povo hebreu da escravidão do Egito. Já no livro 1Samuel, encontramos Deus chamando Samuel, ainda criança, para uma grande missão. Temos ainda o chamado de Davi, Elias, Elizeu, Amós e vários outros. Lemos em, Jeremias 1,5 o relato de uma vocação do profeta que diz: “antes que eu te formasse no seio materno, eu te conhecia, antes que saísses do ventre, eu te consagrei...” Esta passagem bíblica revela os desígnios de Deus para Jeremias, que recebe a missão de profetizar para o povo de Deus.
Também no Novo Testamento, encontramos pessoas sendo chamadas por Deus para uma missão, bem específica: ser instrumento nas mãos de Deus para salvar a humanidade. Em primeiro lugar, aparece Maria de Nazaré, escolhida para gerar em seu ventre Jesus, o salvador da humanidade. João Batista é chamado por Deus para preparar os caminhos do Senhor, convocando o povo para a conversão. O próprio Jesus chama os 12 apóstolos para começar com eles uma nova comunidade de evangelizadores. Em Lucas 9,57-62 encontramos as condições para seguir o mestre Jesus: “Ninguém que olha para trás, depois de ter posto a mão no arado, é apto para o Reino de Deus”.
Lendo estes textos na Bíblia, podemos perguntar: como percebo que Deus está me chamando? Será que estou no caminho certo que Deus escolheu para minha vida? Será que o meu modo de viver está de acordo com a mensagem do evangelho de Cristo?

PADRE ERMINDO RAPOZO DE ASSIS

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Homilia Semana de oração pela unidade dos cristãos



Neste tema da Semana de Oração pela unidade dos cristãos, encontramos em primeiro lugar a Palavra de Deus que era anunciada pelos apóstolos, em segundo lugar, aparece a comunhão fraterna entre os primeiros seguidores de Jesus Cristo; já em terceiro lugar, temos a fração do pão, lembrando a nova aliança que Jesus realizou com sua morte e ressurreição. O quarto aspecto é a atitude constante de oração.
1º - A palavra de Deus que era anunciada pelos apóstolos
 Não era um simples discurso humano, baseado num entrelaçamento de argumentos racionais. A palavra anunciada pelos apóstolos é expressão da vontade divina, que inspirados pelo Espírito Santo, os apóstolos anunciavam a todas as nações.
A multidão que ouvia estas palavras ficava admirada com tanta sabedoria que vinha de homens simples do povo. Muitos, que ainda não tinham ouvido falar de Jesus, abraçavam a fé cristã, baseado nos ensinamentos dos apóstolos.

2º - A comunhão fraterna entre os cristãos
 “Deus espera que os dons de cada um se repartam com amor no dia-a-dia”. Assim fala um dos hinos mais conhecidos entre os católicos. Precisamos repartir com amor o pouco que temos, pois entre nós, o amor é a lei maior que Cristo nos deixou. Acredito que este desejo: de que não haja necessitados entre nós não é uma mera utopia, mas uma exigência concreta de nossa fé em Jesus Cristo.
3º - A fração do pão
 Os discípulos de Emaús reconheceram Jesus ao partir o pão, quando eles ouviram a explicação das Escrituras, os seus corações ardiam não de ódio, mas de amor. Assim eles foram capazes de convidar aquele “estranho” para uma refeição. Ao partilhar o alimento, eles foram capazes de reconhecer o Mestre Jesus e ganharam um redobrado ardor missionário e voltaram para Jerusalém para anunciar aos outros a ressurreição de Jesus. Cada vez que nos reunimos em nossas igrejas cristãs para as devidas celebrações, precisamos reconhecer Jesus e nos comprometer com Ele, assumindo nossa fé cristã.
4º - A atitude constante de oração
 A oração, em nossa vida de discípulos de Jesus Cristo, não é um novo mandamento e muito menos uma obrigação; tenho certeza que a oração é, antes de tudo, uma necessidade que se impõe. Só é capaz de orar quem reconhece suas limitações pessoais, basta olharmos o exemplo do fariseu e do publicano que foram ao templo para orar (parábola que Jesus contou e se encontra em Lc. 18, 9-14).
Nesta semana de oração pela unidade dos cristãos, precisamos ter a atitude do publicano que se reconhece como pecador e confia totalmente na misericórdia de Deus. Católicos, luteranos e os demais cristãos somos todos anunciadores da Palavra de Deus, portanto, devemos ser também unidos nos ensinamentos dos apóstolos.
Pe. Ermindo Rapozo de Assis

quarta-feira, 1 de junho de 2011

JUNHO E JULHO, tempo de festas populares


O sexto e sétimo meses do ano abrem espaço em nossa agenda para grandes festas, com quadrilhas e fogueiras, este tempo é a estação do inverno em nosso hemisfério sul, por isso em muitos lugares de nosso Brasil, faz frio intenso, há cidade do sul em que a temperatura fica abaixo de zero. Diante do calor da fogueira de São João ou de São Pedro podemos perguntar: de onde vem este costume tão popular em nosso meio?
Esta tradição de nossa gente brasileira vem de Portugal e tem suas origens em festas do paganismo realizadas na Europa para festejar o solstício de verão que ocorre no dia 24 de junho. Outra explicação, possível para a fogueira de São João, afirma que: Isabel mandou acender uma fogueira para anunciar o nascimento de seu filho, João Batista. Assim, seus vizinhos e parentes vieram se alegrar com Isabel e Zacarias.
No calendário litúrgico, celebramos neste dia o nascimento de São João Batista, aquele que preparou, com sua pregação, a chegada de Jesus Cristo. Às margens do Rio Jordão, ele anunciava a chegada do Messias e orientava o povo judeu a fazer penitência, batizando a todos que o procurava, inclusive o próprio Jesus Cristo. O costume da fogueira não se resume ao dia de São João, mas também nas festas de Santo Antonio, São Pedro e São Paulo.
Nestas festas juninas e julinas a fogueira ganha destaque pelo fogo que ilumina a escuridão da noite, mas acredito que outro grande atrativo vem das comidas típicas, tais como: pédemoleque, canjicão, bolo de fubá, paçoca, quentão, etc. Tudo isso movimenta as pequenas e grandes vilas, deixando todos envoltos num clima de festa e alegria.
Viva São João, Santo Antonio e São Pedro!
Viva nosso povo brasileiro e sua cultura popular!
Padre Ermindo Rapozo de Assis

sábado, 2 de abril de 2011

Semana Santa, tempo de grandes celebrações



“Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto do céu.” Mt 21,10.
Durante toda a quaresma a nossa igreja católica se prepara para celebrar a Grande Festa da Páscoa dos Cristãos, são quarenta dias que antecedem as grandes celebrações da Semana Santa. É tempo suficiente para que todos possam fazer um verdadeiro retiro de conversão e voltar para Deus. São muitos os atos de piedade cristã que temos neste período. O mais conhecido de todos é a chamada via-sacra, ou caminho sagrado; meditando sobre cada estação, vamos caminhando com Jesus até sua morte e ressurreição. Aqui no Brasil, nós temos a Campanha da Fraternidade que leva a muitas famílias um assunto importante para toda a sociedade; sempre baseada em tema especifico, esta campanha realiza os círculos bíblicos e encontros com a juventude e adolescentes.
Os últimos dias da quaresma é a Semana Santa, quando nós celebramos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém com a procissão de ramos no domingo; durante todos os dias desta semana vamos celebrando os principais acontecimentos da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. É importante vivenciarmos bem estas celebrações litúrgicas, e assim, fazer a experiência dos principais mistérios de nossa fé cristã. Todo ano fazemos as mesmas celebrações e renovamos em nós a nossa fé no Cristo Ressuscitado; é costume também para esta semana a realização do sacramento da confissão, no qual a pessoa tem oportunidade de reconciliação com Deus e com os irmãos de caminhada. Na quinta feira santa celebramos a Instituição da Eucaristia, quando na última ceia Jesus repartiu o pão e o vinho com seus apóstolos, mas antes, lavo-lhes os pés. Na sexta feira santa celebramos a paixão e morte de Cristo na cruz, é o único dia do ano que não é permitida a celebração da Missa. No sábado santo, nós devemos passar o dia todo em silêncio, uma espécie de luto, somente vamos “abrir as aleluias” na Grande Vigília Pascal, quando acendemos o Círio Pascal que é a Luz de Cristo que brilha na escuridão do pecado, trazendo vida nova para todos nós que n’ELE acreditamos. Normalmente, as paróquias celebram nesta noite o Batizado de Adultos, os que já foram batizados, renovam suas promessas batismais.
Quando os judeus celebram sua páscoa, eles estão recordando a grande libertação da escravidão dos hebreus no Egito e sua conquista da Terra Prometida, onde manam leite e mel. Eles sacrificam um cordeiro sem manchas e sem defeito para se alegrarem em família com ceia pascal, conhecida como HAGADÁ. Jesus, ao fazer sua ultima ceia com seus discípulos, antecipa o seu grande Sacrifício Redentor na cruz, por isso, João Batista o apresenta para nós como o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Nós cristãos católicos celebramos na páscoa a Grande Libertação trazida por Jesus Cristo e por isso, devemos nos alegrar sempre pela redenção de nossos pecados.
Pe Ermindo Rapozo de Assis

sexta-feira, 25 de março de 2011

Solenidade da Anunciação do Senhor




“Ao entrar no mundo, Cristo disse:Eis-me aqui, ó Pai, para fazer a tua vontade” (Hb10,5.7).

A cada ano, exatamente no dia 25 de março, a liturgia quaresmal abre espaço para que os fieis de todo mundo possam celebrar de modo solene o Anuncio da Encarnação do Filho de Deus no seio maternal de Maria Santíssima. Este grande mistério de nossa fé é narrado por Lucas no seu Evangelho, Lc 1,26-38. Podemos imaginar a reação daquela jovem tão piedosa da cidade de Nazaré, quando ela ouviu a saudação do Anjo Gabriel. Certamente ela ficou perturbada com tal saudação, mas não perdeu o uso da razão; prova disto é a pergunta que ela dirige ao Mensageiro de Deus: “ como acontecerá isto, já que eu não convivo com um homem?”
Quando Maria foi informada que: “ O Espírito descerá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra . Por isso, o menino santo que vai nascer será chamado Filho de Deus”. Ela não teve mais dúvidas e sem reserva nenhuma se entregou nas mãos de Deus para que as promessas feitas ao Povo de Israel se cumprisse e assim o Salvador da Humanidade pudesse armar sua tenda entre nós e assumisse a nossa condição humana, menos o pecado.
Os judeus sempre esperaram um Messias para libertar seu povo da escravidão do pecado, alguns não o reconheceram na pessoa de Jesus, mas Maria o acolheu ainda criança com muito amor e carinho de mãe. Quando falamos do Mistério da Encarnação do Filho de Deus, por obra do Espírito Santo, no ventre de Maria, temos uma grande verdade de fé para ser celebrada. Devemos sempre render graças a este Deus Conosco, o Emanuel; Ele, sendo de condição divina, veio até nós para resgatar a todos da condição de pecadores. São Leão Magno em sua Epístola 28 a Flavio escreveu: “Assumiu a condição de escravo, sem mancha de pecado, engrandecendo o humano, sem diminuir o divino”. Pe Ermindo Rapozo de Assis.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A CRIAÇÃO DO SER HUMANO E A ECOLOGIA




“Deus os abençoou e disse: sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo ser vivo que rasteja pelo chão.” (Gn 1,28).
Encontramos neste texto bíblico o que nos disse o Criador do Universo, sabemos que Deus reservou um lugar de destaque para o ser humano na criação e o deixou num paraíso terrestre, cercado de todos os privilégios. Alguns estudiosos se perguntam: este paraíso terrestre é saudade do que passou ou esperança do que virá? Outros afirmam que o domínio do ser humano sobre as outras criaturas foi mal interpretado e está causando muita destruição da natureza. Eu pessoalmente, vejo o ser humano como um menino que ganha um brinquedo muito bonito e começa a descobrir a sua engrenagem e logo quer desmontá-lo para reconstruí-lo. Nesta busca de conhecimento acaba destruindo o seu presente.
Deus criou o universo inteiro e o deixou como presente para a humanidade. Nós não estamos sozinhos neste mundo, nele habita muitas espécies de animais e algumas delas já deixaram de existir e outras apareceram em nosso planeta. Nós homens e mulheres somos os administradores e não os donos desta biodiversidade toda, precisamos, urgentemente, buscar o conhecimento da técnica sem agredir o meio ambiente que é morada de muitos outros seres vivos. Podemos entender o “sede fecundos” não só no sentido de gerar filhos e filhas, mas também no sentido de criar melhores condições de vida para todos as criaturas de Deus, todos os seres vivos foram criados por Deus e merecem nosso cuidado e respeito. O progresso científico e tecnológico é um dom que recebemos de Deus e por isso é abençoado, o que não agrada ao Criador é a destruição da natureza e dos animais. Muitas vezes nossa evolução tecnológica é colocada a serviço de poucos, gerando mais pobreza e miséria. Quando, este progresso está servindo aos interesses de poucos e buscando apenas o lucro do capital sem valorizar o ser humano, ele é perverso e destruidor.
O novo milênio está cheio de novas tecnologias que facilitam muita a nossa vida se compararmos ao estilo de vida que nossos avós viviam a cinqüenta anos atrás, ou mesmo nossos pais a trinta anos antes. No passado a vida era mais difícil em muitos sentidos, pois muitas comodidades do presente não existiam para a grande maioria das pessoas. Faz se necessário aprendermos não só usar o celular e o computador, mas perguntar o que fazer com o lixo eletrônico e industrial que criamos. As sacolas de supermercado, as garrafas de plástico facilitam nossa vida, mas prejudicam a natureza. Podemos lembrar que muitos produtos industrializados demoram séculos para decompor e poluem nossos rios e nascentes. Para terminar, eu pergunto: o que estou fazendo para preservar este planeta que é obra de nosso Deus Criador?
Padre Ermindo Rapozo de Assis

domingo, 7 de novembro de 2010

O Primeiro de todos os dia de aula da minha vida

O Primeiro de todos os Dias de Aula da Minha Vida

Acredito que tenho prazer em recordar momentos vividos com intensidade, são muitas experiências que guardam no baú de minhas recordações pessoais. O primeiro dia de aula é uma lembrança que mistura ansiedade, curiosidade e novas descobertas daquele menino de 8 anos. Ainda hoje, sou capaz de vivenciar aquele dia 04 de março de 1969, lá no patrimônio de Centenário, município de Mutum-MG.
Na minha família, meus irmãos mais velhos foram alfabetizados em casa mesmo, não existiam escolhas próximas e meu pai gostava de ensinar o alfabeto e as principais operações matemáticas aos rapazes e moças da região. Com isto meus irmãos aprenderam a ler, escrever e fazer cálculos com nosso pai. José e eu somos os mais novos da família e o Sr Amado Raposo já estava com seus 55 anos, as vistas cansadas, por isso resolveu matricular seus filhos no colégio público que estava sendo construído.
Como um casal católico, papai e mamãe sempre participavam das missas celebradas a cada mês na Igreja de São Sebastião, os filhos também iam rezar. Foi numa tarde de domingo que esta história começou: A missa havia terminado e nós estávamos na calçada da capela, mamãe conversando com suas amigas e comadres e papai estava por perto; eu e José esperávamos nossos pais. Não demorou muito e apareceu uma mulher que se destacava das demais pelo modo de se vestir, era a Professora Daizi Basílio de Novais, logo o Sr Amado falou: boa tarde professora, tudo bem! E continuou, quero matricular meus filhos no colégio, como faço? Ela prontamente passou as devidas informações e fomos apresentados.
Quando chegou o começo das aulas, o colégio novo não tinha sido inaugurado e as aulas começaram numa pequena sala alugada pela prefeitura. Papai nos acompanhou até o patrimônio. Enfrente a sala de aula no meio da rua fizeram a chamada de todos os alunos matriculados, cada turma formava uma fila com sua professora e nós do primeiro ano ficamos com a professora Daizi, cantamos o hino nacional pela primeira vez. No dia seguinte, depois das devidas recomendações de mamãe, eu e José fomos sozinhos para o colégio. Como foi difícil sair sem a companhia de nossos pais. Ainda bem que eu não estava sozinho, pois o medo era muito. Chegando na sala de aula, a professora de unhas grandes e vermelhas começou a escrever com giz branco as vogais no quadro negro.
Cada aluno devia desenhar aquelas letras no seu caderno, mas como ninguém nunca tinha segurado um lápis para escrever, a professora de unhas grandes e vermelhas começou pegando na mão de cada um para ensinar. Eu tremia de medo, a professora era muito estranha para aquele menino de apenas oito anos, não acostumado com pessoas estranhas. Não conseguia prestar atenção nas aulas e quase furava a folha do caderno com a ponta do lápis, quando ia apagar a letra errada com a borracha, quase rasgava a folha.
Com tanto medo da professora, eu, muitas vezes, queria ficar em casa, mas Dona Maria pegava um chinelo ou vara de guaxima e ameaçava dar uma surra. Imediatamente, eu pegava o caderno e o lápis colocava no embornal e logo subia o morro perto de casa rumo a escola. Aos poucos fui acostumando com a professora e fazendo novas amizades, isto foi criando em mim o desejo de estudar sempre. O novo colégio ficou pronto e inaugurado no dia 21 de abril de 1969. No segundo ano, eu já não falava mais “bodeca”, mas boneca e gostava muito de declamar poesias. Guardo com emoção a lembrança de todos os colegas que estudaram comigo nos primeiros anos do ensino fundamental, assim como as professoras: Daizi, Eni, Delma e Marli.

Ermindo Rapozo de Assis

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Qual é a Missão dos Cristãos no Mundo?



Estamos começando o mês de outubro com a beleza da primavera e os agitos da eleição para Presidente da República, Governadores dos Estados, Senadores, Deputados Federais e Estaduais. Esperamos que todos possam cumprir bem a sua missão de representantes do povo brasileiro; mas aqueles e aquelas que são os seguidores de Cristo pela graça do batismo estão cumprindo a sua missão de maneira consciente e responsável? Para responder a esta pergunta precisamos saber qual é mesmo a missão dos cristãos no mundo. Tenho certeza de que a nossa missão é a de levar a Boa Nova de Jesus aos povos, fazendo com que todos se tornem discípulos de Cristo, conforme lemos no Evangelho de Mateus “Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando- os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinado-os a observar tudo o que vos ordenei.”(MT 28,19-20).
Conforme acontece todo ano, a Igreja promove neste mês de outubro a campanha missionária, em 2010 traz como tema: “Missão e Partilha”, tendo os dia 23 e 24 de outubro reservado para coleta missionária em todas as comunidades católicas. Este gesto de partilha de nossas comunidades ajuda muitas comunidades católicas espalhadas em regiões de poucos missionários e muita pobreza, como é o caso de países da África e muitos municípios brasileiros na região da Amazônia. Existem padres, freiras e até mesmo leigos que vão para missão fora de suas terras, vão ao encontro dessa população sedenta de Deus e carente da atenção dos governantes. Temos notícias de que muitas comunidades ficam distantes dos centros urbanos e só recebem a visita do missionário de ano em ano, pois sãos muitos dias de viagem de barco para chegarem nestas vilas à beira dos rios.
Sejamos missionários através da nossa oração, da ação evangelizadora dos círculos bíblicos e com nossa contribuição generosa na campanha missionária.
Padre Ermindo Rapozo de Assis

domingo, 23 de maio de 2010

Solenidade de Pentecostes






Neste domingo, 23 de maio de 2010, celebramos o Divino Espírito Santo, é uma festa do calendário litúrgico celebrada em todas as comunidades católicas do mundo todo. Com o pentecostes nós celebramos nascimento da Igreja Universal, quando impulsionados pelo Divino Espírito, os apóstolos saíram do cenáculo para levar a Boa Nova de Jesus a todos os povos e nações. Pedro, em nome de todos, anuncia aos presentes em Jerusalém a novidade do cristianismo, pela ação do Paráclito, todos compreendem o que ele estava falando em seu próprio idioma (At 2,11).
Na Bíblia encontramos passagens que falam do Espírito de Deus, como um sopro de Deus, em forma de pomba e também em forma de línguas de fogo. Cada uma destas manifestações revela para nós uma característica da ação santificante do Espírito, vejamos: o sopro é doação de vida, quando Deus criou o ser humano soprou no nariz dele uma respiração de vida, e assim ele se tornou um ser vivo (Gn 2,8); Nas margens do Rio Jordão, logo depois de ser batizado por João Batista, Jesus viu o espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre ele (MT 3,16). Para mim, e acredito para muitos, a pomba lembra sempre bondade, amor, paz, mansidão; estas qualidades são sempre frutos da ação do Espírito Santo na vida de cada um de nós. Por ultimo, o fogo é sinal de energia, força, luz que ilumina e purifica nossas ações.
Hoje, mas Missas que celebrei, procurei falar do grande desafio dos cristãos de ontem, de hoje e do futuro em buscar sempre construir unidade na diversidade. Somos criaturas únicas, é como diz o ditado: Deus nos criou e jogou a forma fora. Cada pessoa é diferente, ninguém é cópia de outro, somos parecidos e não iguais. Esta diversidade não é um mal, mas um presente de Deus; cada um de nós temos muito a oferecer ao mundo, a Igreja. Quando encontramos aquilo que nos une, a unidade acontece de forma natural e sempre valorizando o diferente de cada um, nunca caindo na uniformidade autoritária e burra. Este milagre da unidade na diversidade é fruto da ação do Espírito Santo em nossas comunidades de discípulos e missionários de Jesus Cristo.