sexta-feira, 21 de junho de 2013

Gaudium et Spes




“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angustias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e angustias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do Reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua historia.”
Assim começa esta Constituição Pastoral do Concilio Vaticano II que recebeu 2.309 votos favoráveis, 75 contrários e 07 nulos em sua ultima votação dia 07 de dezembro de 1965. O Papa Paulo VI afirmou em sua homilia no Natal do mesmo ano que “ o encontro da Igreja com o mundo atual foi descrito em páginas admiráveis na ultima constituição do concilio. Toda pessoa inteligente, toda alma honrada deve conhecer estas páginas”. Com certeza ainda hoje o conteúdo deste documento conciliar deve nos ilumina no diálogo com o mundo moderno do nosso século.
Na sua primeira parte a Gaudium Et Spes fala sobre a Igreja e a vocação do Homem; ressaltando a dignidade da pessoa humana, sua comunidade, sua atividade e o papel da Igreja no mundo. A segunda parte aborda alguns problemas mais urgentes, como a promoção da dignidade do matrimonio e da família, a promoção do progresso cultural, a vida econômica-social, a vida da comunidade política e a promoção da paz e da comunidade internacional.
A Doutrina Social da Igreja tem uma riqueza enorme de documentos pontifícios que trazem para nós o pensamento dos sumos pontífices sobre os desafios da Igreja e da sociedade de um modo geral, estudando estes escritos, percebemos que a nossa Igreja nunca esteve alheia aos desafios da sociedade; inspirada na Bíblia e na Tradição, nossos pastores vão nos orientando num diálogo permanente com a sociedade de nosso tempo. A Rerum Novarum de Leão XIII (15 de maio de 1891  abriu um caminho de estudo da questão social à luz da doutrina cristã, depois desta Enciclica, outros documentos foram publicados: Mater ET Magistra de João XXII, Pacem in Terris de João XXIII, Ecclesiam Suam de Paulo VI, Populorum Progressio de Paulo VI, Octogesima Adveniens de Paulo VI, Laborem Exerens de João Paulo II e Sollicitudo Rei Socialis.
Sobretudo depois do Concilio Vaticano II, a Igreja Católica no Brasil passou por uma grande renovação, as Ceb’s se firmaram como um novo jeito de ser Igreja, a Campanha da Fraternidade se fortaleceu com temas sociais e o diálogo ecumênico está crescendo no meio de nossas comunidades eclesiais. Tudo isto motivado pelo constante estudo bíblico e ação pastoral de nossos leigos em comunhão com os padres, bispos, diáconos, religiosos.   PADRE ERMINDO RAPOZO DE ASSIS

terça-feira, 14 de maio de 2013

Sacrosanctum Concilium, 50 anos!





Neste ano de 2013 celebraremos  50 anos que foi promulgada, pelo Concílio Vaticano II,a Carta Magna sobre a Sagrada Liturgia, intitulada Sacrosanctum Concilium que  trouxe uma nova vida para a Igreja e para a vida litúrgica:
- Renovou a maneira e o jeito de celebrar e introduziu nas celebrações a língua do povo;
- Recuperou a riqueza da  da Palavra de Deus nas celebrações litúrgicas;
- Colocou no centro da liturgia a memória do Mistério Pascal de Cristo;
- A Sacrosanctum Concilium  nos lembrou que pelo batismo, como povo sacerdotal  somos sujeitos da ação litúrgica, por isso, todos somos chamados  à participação ativa e consciente na celebração dos sagrados mistérios ;
- Recordou que Jesus Cristo Ressuscitado está presente nas celebrações e em quem  preside a nossa oração;
- Trouxe alegria ao lembrar que a liturgia é a fonte da vida, da espiritualidade e da missão;
- A Sacrosanctum Concilium relembrou que na celebração litúrgica  se realiza a glorificação de Deus Pai e a santificação da humanidade;
- Valorizou as equipes de liturgia que preparam e animam as celebrações e  revalorizou os ministérios litúrgicos dos que acolhem as pessoas, preparam o altar, animam o canto, proclamam as leituras, cantam os salmos, ajudam na participação ativa e consciente da assembléia;
- A Sacrosanctum Concilium pediu que nas celebrações fossem valorizadas a cultura, a história e a vida do povo e que tudo fosse feito para fazer a liturgia compreensível  e o povo dela pudesse participar consciente;
- Recordou que o canto e a música fazem parte da celebração e devem estar ligados à ação litúrgica e que por  meio deles acontece a glorificação do Pai e a santificação dos fiéis.

A promulgação da Constituição litúrgica marcou, na vida da Igreja, uma etapa de fundamental importância para a promoção e o desenvolvimento da Liturgia. A Igreja que, animada pelo sopro do Espírito, vive a sua missão de “sacramento, isto é, sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”, encontra na Liturgia a mais alta expressão de sua realidade de mistério.

Esta renovação litúrgica irmãos e irmãs nos convida a avançarmos ainda mais no cultivo da escuta da Palavra de Deus, na participação ativa e consciente na liturgia e nas celebrações comunitárias, orantes e centradas no Mistério Pascal de Cristo.
Maria José Gonçalves  Agente de Pastoral Litúrgica
Coordenadora da Equipe de Liturgia Paróquia virgem Maria de Itacibá- Cariacica-ES

terça-feira, 16 de abril de 2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

A BIBLIA, o coração que impulsiona a vida da Igreja.





                               A Constituição Dogmática DEI VERBUM que compõem o elenco dos documentos aprovados no Concilio Ecumênico Vaticano II, realizado a cinquenta anos atrás em Roma, trouxe para toda a Igreja católica a uma revalorização da Bíblia, como fonte da Divina Revelação. Sem esquecer a verdadeira Tradição e o Magistério, os padres conciliares elaboraram uma Constituição que é um verdadeiro tesouro para todos nós, sejam leigos, padres, catequistas, diáconos, bispos, religiosos e animadores de comunidades. O texto final foi aprovado em 18 de novembro de 1965, tendo recebido 2.344 votos a favor e seis contra.
                                O grande objetivo do Concilio era difundir a Palavra de Deus, obedecendo ao mandamento de Jesus Cristo: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura!” (Mc 16,15). Logo no inicio aparece a sua finalidade: “propor a genuína doutrina sobre a Revelação divina e sua transmissão, para que o mundo inteiro, ouvindo, creia, crendo espere, e esperando ame” (Dei Verbum 1). Chama-se Constituição Dogmática por que trata de questões de fé e contém os fundamentos da Teologia da  Revelação.
                               Sua estrutura está divida do seguinte modo:
·         PROÊMIO que nos introduz no tema central do documento.
·         Capitulo I que fala da natureza e objeto da Revelação: sua preparação, sua plenitude em Jesus Cristo, como a Revelação deve ser recebida na Fé e fala das Verdades Reveladas.
·         Capítulo II que fala da transmissão da Divina Revelação, apresenta os Apóstolos e seus Sucessores como pregadores do Evangelho, afirma para nós que os ensinamentos dos Apóstolos progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo e que esta Tradição tem mutua relação com a Sagrada Escritura. “ O oficio de interpretar autenticamente a Palavra de Deus foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo.” (Dei Verbum 10).
·         Capítulo III traz a inspiração divina da Sagrada Escritura e sua interpretação: A Bíblia é uma só e sua unidade é o fundamento sobre o qual repousa sua interpretação teológica. O método histórico - critico de pesquisa foi muito valorizado pelos padres conciliares.
·         Os capítulos IV e V tratam respectivamente do Antigo e do Novo Testamento. O Primeiro Testamento contém um retrato da História da Salvação e serviu para preparar a chegada de Jesus Cristo que veio inaugurar o Reino de Deus, como é descrito no Segundo Testamento.
·         No VI capítulo encontramos a afirmação de que a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, da mesma forma como o próprio Corpo do Senhor e muito explicito o convite ao aprofundamento da Palavra de Deus através da tradução da Bíblia para todos os idiomas.
·         Por fim temos o Epílogo e a Promulgação pela sua Santidade, o papa Paulo VI.
                            Padre Ermindo Rapozo de Assis

Tempo de penitencia e vida nova em Cristo



 

Sempre o mês de março é marcado pela quaresma e o mês de abril é marcado com a páscoa, assim, nós cristãos encontramos nos dias de março vários motivos para a penitência, já em abril nossa vida é marcada pelas alegrias pascais. Alguns comentam que no nosso Brasil o ano começa mesmo só depois do carnaval, que neste ano foi nos dias 10, 11 e 12 de fevereiro, portando a vida social e política já está em seu ritmo normal. Já passou o tempo das férias de verão, os novos prefeitos já tomaram pose e as crianças, adolescentes e jovens já voltam às aulas. Nossas comunidades católicas estão já  programaram as atividades da semana santa.
Nosso ano litúrgico caminha sem atropelos, desde dia 02/12/12 estamos celebrando o novo ano litúrgico, passamos pelo advento, pelo tempo do natal, por várias festas litúrgicas e agora vivemos o período quaresmal, como preparação para a Grande Festa da Ressurreição de Cristo. A nossa maior penitencia quaresmal é, na verdade, o arrependimento de nossos pecados, certa vez numa homilia eu perguntava: o que é mais fácil, perdoar a ofensa de uma pessoa ou pedir perdão para alguém?... Quando somos chamados a perdoar é por que alguém pecou contra nós, o oposto disto é pedir perdão para alguém que sofreu por causa de nosso pecado. O verdadeiro perdão é fruto de nosso amor, por isso vem do coração e não da razão. O sincero pedido de perdão não é motivado pelo medo do inferno ou fruto de uma simulação de arrependimento, deve originar-se de nossa reta consciência pelo mal que praticamos conta o próximo. Eu acredito que tanto perdoar ou pedir perdão necessita de estarmos fortalecidos pela graça redentora de Jesus Cristo, pois somente n’Ele encontramos o verdadeiro sentido do perdão.
Na Grande Vigília no Sábado Santo, nós ascendemos o Círio Pascal, trazendo a verdadeira luz do Ressuscitado  para apagar as trevas do pecado. Assim nós iniciamos o tempo da páscoa e, alegremente cantamos o hino do glória, como expressão de nossa alegria pela vida nova que recebemos de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tria o pecado do mundo. Com a Ressurreição de Cristo, todos nós formamos um só povo, reunindo escravos e livres, estrangeiros e conterrâneos, pecadores  e justos, todos irmãos e irmãs numa só comunidade. Participando da Eucaristia, fazemos comunhão e somos alimentados com o mesmo pão e o mesmo vinho; Corpo e Sangue de Cristo, nosso único Salvador.
  PADRE ERMINDO RAPOZO DE ASSIS

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013



Espiritualidade da quaresma
A Quaresma é o tempo propício de preparação para a maior de todas as festas: a Páscoa. É um tempo privilegiado para se aprofundar mais a Palavra de Deus. O cristão é chamado a interiorização, a olhar por dentro e examinar suas atitudes.
Quaresma é convite ao homem para se renovar, restabelecer a paz, partilhar o pão. A Quaresma é o caminho para a Páscoa. Toda Páscoa é antecipada pela cruz. Na Quaresma a liturgia e a Igreja nos mostram o sofrimento e a renúncia como caminho para a participação na Festa Pascal.
 Viver a Quaresma é assumir os caminhos de conversão, de renovação, de purificação e de santidade. Converter-se é voltar-se, colocar-se na procura do essencial, do mais profundo. Converter-se não é apenas sentir dor ao contemplar a Paixão de Cristo, mas comprometer-se com Cristo na libertação de todo o pecado.
Assim, a Quaresma é tempo para descoberta profunda do pecado, para se chegar a libertação plena: Páscoa. Todo encontro com Deus santifica, modifica o coração do homem e o reanima na caminhada. Por isso, a Quaresma é tempo de colocar-se frente a Deus e frente a vida. Ao falarmos de conversão, queremos entender um constante repensar de nossa vida, assumindo os compromissos tomados, para assim produzirmos os frutos de libertação.
Convertei-vos... Ouvimos ao receber cinzas sobre nossas cabeças. Quando o ser humano reconhece sua condição de criatura necessitada da ação de Deus ele entra numa atitude pascal, isto é, de passagem com Cristo da morte para a vida. Esta Páscoa nós a vivemos na conversão, através dos exercícios da oração, jejum, da esmola ou partilha de bens e gestos solidários, no espírito do Sermão da Montanha.
O Rito da imposição das cinzas é, no fundo, celebração da vocação do ser humano, chamado a imortalidade, contanto que realize o mistério pascal de morte e vida em seu peregrinar por este mundo.
O fundamental não é o que conseguimos fazer, mas o que Deus faz em nós. Por isso, a conversão é deixar Deus agir em nós, dando a Ele o lugar que Ele merece em nós.
Pe. Raymundo Gomes de Oliveira