quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O homem como criatura de Deus

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“No principio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era DeusTudo foi feito por meio Dele e sem Ele nada foi feito”. (J0 1,1-3) É impressionante como nestes primeiros versículos do quarto evangelho encontramos resumidamente toda a história da criação do homem e a salvação operada por Deus. O Salmista pergunta: “Quem é o homem, para dele te lembrares, e o filho de Adão para que venhas visitá-lo (SI 9,5). Quem realmente se abre a graça divina em sua vida, experimenta a grandiosidade deste amor criativo e misericordioso para com a humanidade. Este amor doação iniciou-se com a criação do primeiro homem e da primeira mulher que recebem como dom: “a imagem e semelhança de Deus e o domínio sobre os peixes do mar, as aves dc céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra” (Gn 1 ,26). depois que a Palavra criadora saiu de sua eterna morada e enquanto o Espírito do Senhor pairava sobre as águas, o céu e a terra foram feito e se encheram de plantas e animais. O Homem como criatura amada por Deus recebeu o sopro da Vida e -foi colocado em lugar de comando no meio de toda a criação. “Para determinar a natureza e a distinção do homem, acentua-se mais que tudo a sua criação segundo imagem de Deus. Tal característica “distingue-o nitidamente das demais criaturas”, (01). Sabemos, no entanto, que o ser humano não foi fiel a essa imerecida graça divina que recebeu de seu criador. Ele não soube conservar para si este grande dom de Deus. Por querer ser igual a Deus, acabou pecando contra seu Criado. Esta sua queda provocou o rompimento de seu estado de graça e santidade; contudo o Amor Divino é sem medida e nada o pode superar. O Criador, então, promete enviar um Salvador para resgatar toda a humanidade da escravidão do pecado. Em Gn 3,5 encontramos esta afirmação na boca de Javé: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre tua descendência e a dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferira o calcanhar”. A serpente representa todo mal existente no mundo e a mulher representa toda a humanidade, que deverá lutar com todas as suas forças para vencer tudo aquilo que separa a criatura de seu Criador, “Desde a entrada do pecado original no paraíso, a luta contra o poder do mal marcará essencialmente o rumo da história da humanidade” (02). Vários padres da Igreja interpretam esta passagem bíblica como uma primeira profecia da vinda Messias, de um Novo Adão que através de uma total obediência recuperaria o estado de graça que a humanidade perdera com a desobediência do primeiro Adão. Junto ao Novo Adão (Cristo) aparece a Nova Eva (Maria) que com seu SIM incondicional coopera com a Nova Criação, não mais entregue ar domínio do pecado, mas redimida pala ação salvífica de Cristo”. Virgem, lenho e morte foram os símbolos de nossa ruína. VIRGEM era Eva; ainda não conhecera varão. O LENHO, a árvore; MOFTE, o castigo de Adão. E eis que de novo Virgem lenho e morte, se tornaram eles mesmos símbolos de Vitória. Pois em lugar de Eva está Maria em vez de lenho da ciência do bem e do mal o lenho da cruz, em lugar da morte de Adão, a morte de Cristo” (03). A criação é obra do Amor Divino e se opõe a idéia de mito, pois este se apresenta como uma unidade feita de mundo e deuses, teogomia e cosmogomia, história e destino, mundano a divino. A criação se manifesta, revel a Deus mas não se confunde com Ele. Nesta revelação entende-se o homem como o Ser Criado que conhece a Deus e livremente é chamado a cooperar na’ obra criadora de Deus, isso aparece nitidamente em Gn 1,28: “sede fecundos, multiplicai-vos. enchei e terra e submetei-a”. Em sua criação, Deus aparece como o Senhor da vida que ame profundamente suas criaturas e ao mesmo tempo escolhe uma delas para continuar sua obra; o homem é indicado como o administrador de Deus perante todos os seres criados por Deus, A revelação de Deus não é algo parado ou unilateral, Deus se comunica e espera uma reposta do homem que livremente deve acolher o chamado divino, mediante sua adesão total ao projeto divino para a construção do Reino de Deus aqui. Na terra.. “Ao Deus que revela deve-se a obediência da fé, pela qual o homem livremente se entrega todo a Deus prestando. Um obséquio pleno do intelecto e da vontade e dando voluntário assentimento à revelação feito por Ele”.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Jesus Cristo: a Eterna Palavra do Pai

A Revelação de Deus aos homens através de sua Palavra é o primeiro mistério, a primeira categoria da fé cristã. Toda a economia a salvação tem como ponto central a Palavra anunciada ao gênero humano é o que expressa a carta aos Hebreus: “Muitas vezes de muitos modos falou Deus outrora a nossos pais, nos profetas; nestes últimos tempos falou a nós no Filho” (Hb 1,1). A resposta a este grande mistério da autocomunicação divina deve ser dada pelo ser humano na sua inteira liberdade, só ele, como ser dotado de inteligência e vontade, tem capacidade de corresponder generosamente ao apelo divino. Convencido de que em Jesus Cristo a Revelação chegou a sua plenitude, e que Ele é a eterna Palavra do Pai aos homens e mulheres de boa vontade. Desde a criação, Deus se manifesta como amigo do homem, criando-o a sua imagem e semelhança Diante do pecado do homem o Senhor promete enviar-lhe um salvador, Javé, dando prosseguimento a sua obra salvífica, escolhe o povo hebreu como sua parte na herança e o coloca como luz das nações, fazendo com ele um pacto de amizade, Na história deste povo. Deus vai revelando seu amor e predileção. Não aceita a concorrência de outros deuses e exige do povo o cumprimento dos estatutos da aliança através de seus profetas. Esta primeira aliança teve o grande mérito de preparar os caminhos do Senhor e nesta pedagogia divina o povo eleito foi sendo formado para a vinda do Messias. “O Senhor se fez carne e veio habitar ente-e nós” (João1, 14) Neste assumir a humanidade o Filho se encarnou na história humana e nos revelou o Pai pelo Espírito Santo. Maria de Nazaré, sendo da descendência de Abraão, recebeu em seu ventre o Filho do Deus, cumprindo sue sublime missão de Teotokos. Ela se tornou o grande modelo no cumprimento de Palavra de Deus na Nova e Eterna Aliança. Jesus se coloca acima dos profetas e doutores da lei, sua palavra é fonte de salvação para todos, Ele é o ungido de Deus e a Eterna Palavra do Pai Voltando para junto de seu Pai, Jesus deixou a Igreja como fiel portadora da Palavra e a enviou em missão pelo mundo afora. Na liturgia, esta Palavra é celebrada e anunciada e através dos sacramentos Cristo continua agindo na sua igreja em favor de todos nós. Esta palavra, anunciada pelos profetas e realizada plenamente na pessoa de Jesus de Nazaré, tem a sua força histórica e atual na vida e caminhada de nossas comunidades. Estas se colocam, a cada dia, a serviço da vida e da esperança rumo a um novo céu e um nova terra; procurando assim, construir sem demore um reino de paz, justiça e vida digna para todos. Somos impelidos pela Palavra a sermos ouvintes atentos desta grande autocomunicação de Deus, como verdadeiros profetas e seguidores de Cristo, devemos anunciá-la a todos os povos e nações. PADRE ERMINDO RAPOZO DE ASSIS

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Lembrança de Aparecida do Norte-SP

Estamos na véspera do dia de Nossa Sra Aparecida , Rainha e Padroeira do Brasil, acredito que muitos estão participando da novema em preparação a esta grande festa do povo brasileiro. Em cada dez brasileiros, certamente 7 são devotos de Aparecida e a maioria deles já foram visitar a Basilica de Aparecida. Eu, pessoalmente, já fui v´árias vezes em Romaria a Casa da Mãe que nos acolhe com muitas bençãos de Deus. Lembro com carinho e emoção da primeira visão que tive do Santuario Nacional de Aparecida, foi em novembro de 1981, eu estava de férias do emprego que tinha na época e resolvi visitar meu irmão Oliveira em São Paulo. Era a primeira grande viagem que fazia sozinho, estava vivendo a emoção da maioridade com 20 anos, já pensava em ser padre. Embarquei no ônibus da Viação Itapemirim em Vitória com destino a capital paulista. Não sabia que o ônibus pasava em Aparecida, depois de várias horas de viajem, acordei dentro do Onibus e ao abir os olhos, vi logo na frente o masjestoso Santuario e não dúvida, era realmente a Casa da Padrpeira do Brasil, aproveitei esta surpresa e rezei um Pai Nosso e trê Ave Marias. Fui pra São Paulo encontrar com meu irmão mais velho, mas com a certeza de que voltaria a cidade de Aparecida do Norte para visitar Nossa Senhora da Conceição Aparecida naquela mesma semana. Depois desta visita, voltei várias vezes e ainda quero voltar muitas outras vezes para sentir de perto a presença de Deus que transforma a vida de muitos pessoas com o auxilio da Bemaventurada Virgem Maria, que sempre nos motiva a ouvir a Palavra de Deus e responder sim ao chamado divino. Padre Ermindo Rapozo de Assis

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Em Maria, o Verbo se encarnou na história humana

“O Espírito Santo virá sobre Ti e força do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer de Ti será chamado Filho de Deus”. (Lc 1,35).
Deus escolheu para si um povo do qual viria a salvação para toda a humanidade. Maria fazia parte deste povo, era da descendência de Abrão e, como todos os seus compatriotas e membros do povo da Aliança esperavam ansiosamente a vinda do Messias. Diante do pecado, Deus promete enviar um Salvador que carregaria em seu ombro todos os pecados da humanidade Se pela desobediência de Adão o pecado entrou no mundo, será pela obediência de outro homem (Jesus) que o pecado será banido da face da terra, Será da descendência de Eva que Deus fará surgir o Messias que nascerá de uma mulher, cujo nome é Maria, “Fez-se, todavia, homem para o nosso bem; aquele que ama o homem, fez-se homem, o que não era antes, Mas fez-se homem, continuando a ser ao mesmo tempo Deus, sem mudança de espécie alguma” Padre Ermindo Rapozo de Assis

terça-feira, 20 de setembro de 2011

BÍBLIA E CATEQUESE

Estamos no mês da Bíblia e refletindo, de maneira especial, sobre a travessia do povo de Deus no deserto e o consequente encontro com Ele. Falamos hoje da animação bíblica de toda pastoral e do retorno da “lectio divina”, ou leitura orante da Bíblia, em nossas reuniões de grupo e círculos bíblicos. Nesta semana a nossa Arquidiocese esteve reunida por Vicariatos nas Assembléias dos Círculos Bíblicos. Também na catequese tivemos um bom trabalho para que o aprofundamento da fé tivesse como grande fonte a Palavra de Deus. A Iniciação Cristã nos trouxe a figura dos “introdutores” para a primeira acolhida dos que chegam às nossas comunidades e que devem ser pessoas que transmitam a “palavra de Deus” pelo seu testemunho. Vivemos em tempos muito ricos e que supõem de cada um a abertura para escutar o Senhor que nos fala. Costuma-se dizer que a Bíblia é o principal livro da catequese, a mais importante fonte do processo de evangelização. Isso é fácil de entender, pois sabemos que a Bíblia é, para nós, Palavra de Deus. Se, na catequese, o que se pretende é ajudar o catequizando a realizar o seu encontro com Deus, fica clara a importância da Palavra de Deus por meio da qual se realiza esse encontro. A catequese é, sem dúvida, centrada na Palavra de Deus. O catequizando deve aprender a escutar a Bíblia e deve ser incentivado a vivenciá-la. Por meio da Palavra, Deus se comunica conosco e nós nos comunicamos com Ele. É impossível compreender exatamente o que seja a catequese sem compreender profundamente a Palavra de Deus. O Diretório Nacional de Catequese nos fala que é preciso que a catequese seja alimentada e dirigida pela Sagrada Escritura. É tão grande a força e virtude da Palavra de Deus que fornece à Igreja a solidez da fé, o alimento da alma, fonte pura e perene da vida espiritual. A própria Escritura testemunha: A "Palavra de Deus é viva e eficaz" (Hb 4,11). A Bíblia é, pois, o primeiro livro de catequese. Antes de a Bíblia ser escrita, Israel encontrou-se com seu Deus e alimentou sua vida de fé numa longa experiência comunitária de luta pela sua sobrevivência e dignidade. Nessa experiência vai despontando o jeito catequético de Deus, através do qual Israel foi aprendendo a ver Deus no centro de sua história e da vida de cada um. Por meio dessa longa experiência, podemos comparar a Bíblia com uma antiga “máquina de costura”, que vai costurando a aliança de Deus com o povo e do povo com Deus. O “carretel de linha” é o mistério do amor de Deus que vai penetrando os orifícios de nossa vida. A “canelinha” somos nós, que devemos corresponder à penetração da agulha de Deus em nossa vida. O importante é “firmar o ponto” e não afrouxar a costura, senão vamos “franzir” a nossa vida cristã. Através de nossa liberdade podemos cortar a linha e quebrar a aliança com Deus. A catequese é, portanto, a constante “costura” que fazemos com Deus. Não se faz roupa apenas em alguns momentos da vida. Daí a importância da catequese e de sua formação permanentes. Depois de muito tempo, por inspiração de Deus, Israel vai pondo por escrito aspectos marcantes dessa experiência vivida à luz da fé. A vivência suscita os escritos. Na catequese de Deus os fatos precedem as escritas. É a grande pedagogia da Bíblia. Os escritos que vão surgindo mantêm viva e aprofundam a fé através de releituras posteriores provocadas pelos fatos novos. Assim, o Diretório Nacional de Catequese afirma: "O texto sagrado nasceu em experiência comunitária: foi o processo que o próprio Deus escolheu para se comunicar. É função do texto bíblico alicerçar e vivificar a comunidade dos que crêem, fazendo crescer a unidade da Igreja, que não é uniformidade, mas deriva de um espírito básico de comunhão... A Bíblia nasceu na e para a comunidade de fé. Ela será vista em suas perspectivas mais importantes só quando relacionada com a comunidade" (DNC 177-185). Uma das características da Catequese renovada e ratificada no Diretório Nacional de Catequese é a "Interação fé-vida”: O conteúdo da catequese compreende dois elementos que se interagem: a experiência da vida e a formulação da fé. A interação entre fé e vida é a tarefa principal, a arte do catequista e seu constante desafio diante das situações concretas (DNC 26). Esta interação não pode ser de palavra, igual óleo no copo de água: só se mistura quando é remexido. Deve ser a interação do óleo e da água na panela quente para cozinhar o arroz. Uma vez misturados, não se separam mais. Toda a Palavra de Deus é esta grande interação entre fé e vida. A Bíblia nos traz valiosos testemunhos de mulheres e homens que declararam o quanto tiveram consciência de que Deus é parceiro e está no centro da caminhada. De tudo isto, a Bíblia é fruto e história. A Sagrada Escritura é, ao mesmo tempo, testemunho oficial e orientação autorizada do período fundador da nossa comunidade de fé. Por isso mesmo, a Bíblia é livro catequético por excelência. Na Bíblia não existem textos sem valor, banais, mesmo que às vezes se tenha esta impressão. Eles têm seus valores, ainda que ocultos. Daí a necessidade de boa formação bíblica para perceber qual catequese está por trás de tais textos. Para isto é importante dar bastante atenção ao texto. Evitar a ânsia de nos servirmos do mesmo texto para expor nossas idéias, não prestando atenção ao que ele tem a nos dizer. A pedagogia de Deus é a revelação progressiva através de palavras e acontecimentos na caminhada do povo. Nada pronto de cima para baixo. Na medida em que o povo caminhava, ia reavaliando suas reflexões e ações numa linha progressiva. A pedagogia bíblica é a reflexão na caminhada. Nada de receitas prontas. Na medida em que a comunidade caminha, reavalia reflexões e soluções do passado, às vezes corrigindo-as. É o caso, por exemplo, da responsabilidade pessoal. A pedagogia bíblica nos ajuda a ver problemas e nos mostra que suas soluções estão na comunidade de fé, onde aprendemos a traduzir em oração e em catequese tudo o que acontece: alegria, dores, esperanças. Neste sentido, é importante o uso de uma linguagem simbólico-cultural, que situa catequista e catequizando em sua cultura. Contudo, é preciso valorizar ainda mais a importância da Bíblia a nível pessoal e comunitário, e promover uma catequese que seja fundada na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, vivificando os programas catequéticos e os próprios catecismos, a pregação e a piedade popular. Em todas as catequeses integrais devem estar sempre presentes, inseparavelmente unidos, o conhecimento da Palavra de Deus, a celebração da fé nos sacramentos e a profissão da fé na vida quotidiana. Deste modo, estaremos fazendo e vivendo uma catequese pautada na Palavra de Deus e tendo a certeza de que estamos no caminho certo, e que nossa catequese hoje possa responder aos anseios de nossos catequizandos. Que em nossas comunidades, neste mês da Bíblia, seja valorizada a leitura orante da Bíblia, e que todas as nossas paróquias, iluminadas pela Palavra de Deus, se coloquem na escola da Palavra, que é alimento diário para a nossa caminhada de fé neste mundo tão conturbado em que vivemos, onde somente a Palavra de Deus nos ilumina a viver a santidade. Dom Orani João Tempesta, O. Cist. Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Matrimônio, Sacramento do amor conjugal



A tradição bíblica vê a união entre um homem e uma mulher como um fator importante para compreender a aliança Deus-Povo. No Novo Testamento vamos encontrar as motivações fundamentais para a vida conjugal: a união Cristo-Igreja (Ef 5,21-33).
O sacramento do Matrimônio visualiza uma união espiritual no viver, no ser, no agir juntos à luz do consentimento. Portanto, sua finalidade principal não se reduz ao ato da “coabitação” ou à “procriação no amor”.
O Matrimônio é um dos sete sacramentos reconhecido pela Igreja, como sinal de um mistério sublime, indissolúvel, que sinaliza a união Cristo-Igreja. Uma fonte de graça, por meio do qual o amor humano é inserido na caridade entre pessoas.
É o Espírito de Deus que envolve a vivência conjugal do cristão, comprometendo as pessoas (casal): no Amor Pascal e na vivência da Aliança. Trata-se de uma marca divina: “Por isso o homemdeixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois se tornam uma só carne” (Gn 2,24; Mt 19,5). Em Cristo, o Matrimônio assume nova dimensão (Mt 22,23-33). Vivido de acordo com a projeto do Criador, o Matrimônio lança as pessoas (casal e filhos) em um contexto de união, doação e amor.
Estamos diante de um Sacramento a ser vivido com todas as expressões: comunhão e participação entre os esposos e os filhos, vida cristã que se alimenta na celebração do Mistério Pascal, na solidariedade humana…
Celebrado na Igreja, para uma vida na Aliança, supera o caráter social e o círculo fechado do casal. Na celebração, o casal manifesta seu projeto de vida, na força da Aliança, no amor Pascal de Jesus.
Elementos essências da celebração:
1. O CONSENTIMENTO no qual os dois selam a sagrada aliança do matrimônio, diante de Deus e de sua Igreja reunida;
2. A ENTREGA DAS ALIANÇAS como sinal de amor e fidelidade, em nome da Trindade: o Pai o Filho e o Espírito Santo;
3. A CENTRALIDADE DO MISTÉRIO PASCAL na celebração que deve ser bem vivida e saboreada pelos ministros do sacramento (os noivos) e por toda a assembléia celebrante.
4. A BÊNÇÃO NUPCIAL, com sua raiz bíblica, onde podemos notar a presença de referências bíblicos nas orações compostas (Gn 1,26-27; Gn 2,18-24; Mt 19,4-6; Mc 10,6-9);
5. A SAGRADA COMUNHÃO do “Corpo do Senhor”, força do Ressuscitado, para a nova caminhada em família.

Fundamental na vida conjugal: não separar o amor humano e o amor divino, vida e rito, celebração e compromisso, fidelidade a Deus e fidelidade a dois...
Pe. Ivo Ferreira de Amorim

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Bíblia e o Chamado de Deus



Na Bíblia, encontramos muitos relatos de homens e mulheres, que foram chamados por Deus para uma determinada vocação. Sempre quando leio algum destes textos bíblicos, fico impressionado com a disponibilidade que cada um responde ao apelo de Deus. Às vezes, alguns até falam de suas limitações pessoais, mas logo que percebem a urgência da missão, não duvidam e se lançam nas mãos de Deus.
No Antigo Testamento, aparecem os primeiros vocacionados, Abraão e Sara que são escolhidos para acolher a Palavra de Deus, tornando-se um povo numeroso (Gn 12). No Êxodo, encontramos a história de Moisés, que aos poucos vai tomando consciência de sua missão e assim liberta o povo hebreu da escravidão do Egito. Já no livro 1Samuel, encontramos Deus chamando Samuel, ainda criança, para uma grande missão. Temos ainda o chamado de Davi, Elias, Elizeu, Amós e vários outros. Lemos em, Jeremias 1,5 o relato de uma vocação do profeta que diz: “antes que eu te formasse no seio materno, eu te conhecia, antes que saísses do ventre, eu te consagrei...” Esta passagem bíblica revela os desígnios de Deus para Jeremias, que recebe a missão de profetizar para o povo de Deus.
Também no Novo Testamento, encontramos pessoas sendo chamadas por Deus para uma missão, bem específica: ser instrumento nas mãos de Deus para salvar a humanidade. Em primeiro lugar, aparece Maria de Nazaré, escolhida para gerar em seu ventre Jesus, o salvador da humanidade. João Batista é chamado por Deus para preparar os caminhos do Senhor, convocando o povo para a conversão. O próprio Jesus chama os 12 apóstolos para começar com eles uma nova comunidade de evangelizadores. Em Lucas 9,57-62 encontramos as condições para seguir o mestre Jesus: “Ninguém que olha para trás, depois de ter posto a mão no arado, é apto para o Reino de Deus”.
Lendo estes textos na Bíblia, podemos perguntar: como percebo que Deus está me chamando? Será que estou no caminho certo que Deus escolheu para minha vida? Será que o meu modo de viver está de acordo com a mensagem do evangelho de Cristo?

PADRE ERMINDO RAPOZO DE ASSIS