sábado, 18 de dezembro de 2010

Á R V O R E DA A M I Z A D E




Quisera, Senhor, neste natal, armar uma árvore dentro do meu coração e nela pendurar, em vez de presentes, os nomes de todos os meus amigos. Os amigos de longe e os de perto. Os antigos e os mais recentes. Os que vejo a cada dia e os que raramente encontro.
Os sempre lembrados e os que as vezes ficam esquecidos. Os que, sem querer, eu magoei, ou sem querer me magoaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles de quem conheço apenas as aparências. Os que pouco me devem e aqueles a quem muito devo. Os nomes de todos os que já passaram pela minha vida.
Uma árvore de raízes muito profundas para que seus nomes nunca sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos, para que novos nomes, vindos de todas as partes, venham juntar-se aos já existentes. De sombras muito agradáveis, para que nossa amizade seja um momento de repouso nas lutas da vida.
Que nossos sonhos não se percam e que neste final de ano a esperança no amanhã seja reforçada. Feliz Natal!

Texto de autor desconhecido – Livro Alegria de Viver – Paulinas 2006

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

QUAL NATAL QUEREMOS FESTEJAR NO DIA 25 DE DEZEMBRO?


Esta é uma pergunta que se apresenta para todos a cada final de ano, desde muito tempo o Natal é celebrado em nossas igrejas cristãs como a festa do nascimento do Menino Jesus. Isto é do conhecimento de muita gente, ainda no Império Romano os primeiros cristãos começaram a comemorar o aniversário de Jesus no dia 25 de dezembro. Contudo no decorrer da história, esta festa foi se transformando numa série de costumes, tradições e seu verdadeiro motivo sendo esquecido. Porém, para os seguidores de Cristo, o Natal verdadeiro não se reduz a compras e banquetes.
É comum neste mês de dezembro, vermos as casas com luzes piscando, nossas ruas sendo enfeitadas, as vitrines do comércio expondo os mais variados produtos, muita gente comprando presente, etc. Diante destes acontecimentos, eu pergunto: para que tipo de natal eles estão se preparando? Será apenas um “natal” do consumismo e desperdício?
Nossas comunidades católicas, desde os anos setenta, têm o costume de fazer a novena de natal nas famílias. Estes encontros de meditação da Palavra de Deus em nossas casas servem como preparação para o verdadeiro natal, como celebração do nascimento de nosso Salvador, Jesus Cristo. Alguns grupos realizam também a coleta de donativos para os mais carentes. Acredito que estas atitudes, realmente, ajudam a vivenciarmos o amor ao próximo, seguindo o que Jesus nos ensinou.
Desejo que todos nós possamos celebrar o nascimento do Menino Jesus com muito amor no coração, muita paz, muita solidariedade. Que cada família tenha o necessário para sua sobrevivência e que o ano de 2011 seja de prosperidade e muito progresso com justiça para o nosso povo brasileiro e para todas as nações do mundo.
PADRE ERMINDO RAPOZO

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Maria «Mater Verbi Dei» e «Mater fidei»


Maria «Mater Verbi Dei» e «Mater fidei»
27. Os Padres sinodais declararam que o objectivo fundamental da XII Assembleia foi «renovar a fé da Igreja na Palavra de Deus»; por isso é necessário olhar para uma pessoa em Quem a reciprocidade entre Palavra de Deus e fé foi perfeita, ou seja, para a Virgem Maria, «que, com o seu sim à Palavra da Aliança e à sua missão, realiza perfeitamente a vocação divina da humanidade».[79] A realidade humana, criada por meio do Verbo, encontra a sua figura perfeita precisamente na fé obediente de Maria. Desde a Anunciação ao Pentecostes, vemo-La como mulher totalmente disponível à vontade de Deus. É a Imaculada Conceição, Aquela que é «cheia de graça» de Deus (cf. L c 1, 28), incondicionalmente dócil à Palavra divina (cf. L c 1, 38). A sua fé obediente face à iniciativa de Deus plasma cada instante da sua vida. Virgem à escuta, vive em plena sintonia com a Palavra divina; conserva no seu coração os acontecimentos do seu Filho, compondo-os por assim dizer num único mosaico (cf. L c 2, 19.51).[80]
No nosso tempo, é preciso que os fiéis sejam ajudados a descobrir melhor a ligação entre Maria de Nazaré e a escuta crente da Palavra divina. Exorto também os estudiosos a aprofundarem ainda mais a relação entre mariologia e teologia da Palavra. Daí poderá vir grande benefício tanto para a vida espiritual como para os estudos teológicos e bíblicos. De facto, quando a inteligência da fé olha um tema à luz de Maria, coloca-se no centro mais íntimo da verdade cristã. Na realidade, a encarnação do Verbo não pode ser pensada prescindindo da liberdade desta jovem mulher que, com o seu assentimento, coopera de modo decisivo para a entrada do Eterno no tempo. Ela é a figura da Igreja à escuta da Palavra de Deus que nela Se fez carne. Maria é também símbolo da abertura a Deus e aos outros; escuta activa, que interioriza, assimila, na qual a Palavra se torna forma de vida.
28. Nesta ocasião, desejo chamar a atenção para a familiaridade de Maria com a Palavra de Deus. Isto transparece com particular vigor no Magnificat. Aqui, em certa medida, vê-se como Ela Se identifica com a Palavra, e nela entra; neste maravilhoso cântico de fé, a Virgem exalta o Senhor com a sua própria Palavra: «O Magnificat – um retrato, por assim dizer, da sua alma – é inteiramente tecido de fios da Sagrada Escritura, com fios tirados da Palavra de Deus. Desta maneira se manifesta que Ela Se sente verdadeiramente em casa na Palavra de Deus, dela sai e a ela volta com naturalidade. Fala e pensa com a Palavra de Deus; esta torna-se Palavra d’Ela, e a sua palavra nasce da Palavra de Deus. Além disso, fica assim patente que os seus pensamentos estão em sintonia com os de Deus, que o d’Ela é um querer juntamente com Deus. Vivendo intimamente permeada pela Palavra de Deus, Ela pôde tornar-Se mãe da Palavra encarnada».[81]
Além disso, a referência à Mãe de Deus mostra-nos como o agir de Deus no mundo envolve sempre a nossa liberdade, porque, na fé, a Palavra divina transforma-nos. Também a nossa acção apostólica e pastoral não poderá jamais ser eficaz, se não aprendermos de Maria a deixar-nos plasmar pela acção de Deus em nós: «A atenção devota e amorosa à figura de Maria, como modelo e arquétipo da fé da Igreja, é de importância capital para efectuar também nos nossos dias uma mudança concreta de paradigma na relação da Igreja com a Palavra, tanto na atitude de escuta orante como na generosidade do compromisso em prol da missão e do anúncio».[82]
Contemplando na Mãe de Deus uma vida modelada totalmente pela Palavra, descobrimo-nos também nós chamados a entrar no mistério da fé, pela qual Cristo vem habitar na nossa vida. Como nos recorda Santo Ambrósio, cada cristão que crê, em certo sentido, concebe e gera em si mesmo o Verbo de Deus: se há uma só Mãe de Cristo segundo a carne, segundo a fé, porém, Cristo é o fruto de todos.[83] Portanto, o que aconteceu em Maria pode voltar a acontecer em cada um de nós diariamente na escuta da Palavra e na celebração dos Sacramentos.
Fonte EXORTAÇÃO APOSTÓLICA
PÓS-SINODAL
VERBUM DOMINI
DO SANTO PADRE
BENTO XVI

domingo, 7 de novembro de 2010

O Primeiro de todos os dia de aula da minha vida

O Primeiro de todos os Dias de Aula da Minha Vida

Acredito que tenho prazer em recordar momentos vividos com intensidade, são muitas experiências que guardam no baú de minhas recordações pessoais. O primeiro dia de aula é uma lembrança que mistura ansiedade, curiosidade e novas descobertas daquele menino de 8 anos. Ainda hoje, sou capaz de vivenciar aquele dia 04 de março de 1969, lá no patrimônio de Centenário, município de Mutum-MG.
Na minha família, meus irmãos mais velhos foram alfabetizados em casa mesmo, não existiam escolhas próximas e meu pai gostava de ensinar o alfabeto e as principais operações matemáticas aos rapazes e moças da região. Com isto meus irmãos aprenderam a ler, escrever e fazer cálculos com nosso pai. José e eu somos os mais novos da família e o Sr Amado Raposo já estava com seus 55 anos, as vistas cansadas, por isso resolveu matricular seus filhos no colégio público que estava sendo construído.
Como um casal católico, papai e mamãe sempre participavam das missas celebradas a cada mês na Igreja de São Sebastião, os filhos também iam rezar. Foi numa tarde de domingo que esta história começou: A missa havia terminado e nós estávamos na calçada da capela, mamãe conversando com suas amigas e comadres e papai estava por perto; eu e José esperávamos nossos pais. Não demorou muito e apareceu uma mulher que se destacava das demais pelo modo de se vestir, era a Professora Daizi Basílio de Novais, logo o Sr Amado falou: boa tarde professora, tudo bem! E continuou, quero matricular meus filhos no colégio, como faço? Ela prontamente passou as devidas informações e fomos apresentados.
Quando chegou o começo das aulas, o colégio novo não tinha sido inaugurado e as aulas começaram numa pequena sala alugada pela prefeitura. Papai nos acompanhou até o patrimônio. Enfrente a sala de aula no meio da rua fizeram a chamada de todos os alunos matriculados, cada turma formava uma fila com sua professora e nós do primeiro ano ficamos com a professora Daizi, cantamos o hino nacional pela primeira vez. No dia seguinte, depois das devidas recomendações de mamãe, eu e José fomos sozinhos para o colégio. Como foi difícil sair sem a companhia de nossos pais. Ainda bem que eu não estava sozinho, pois o medo era muito. Chegando na sala de aula, a professora de unhas grandes e vermelhas começou a escrever com giz branco as vogais no quadro negro.
Cada aluno devia desenhar aquelas letras no seu caderno, mas como ninguém nunca tinha segurado um lápis para escrever, a professora de unhas grandes e vermelhas começou pegando na mão de cada um para ensinar. Eu tremia de medo, a professora era muito estranha para aquele menino de apenas oito anos, não acostumado com pessoas estranhas. Não conseguia prestar atenção nas aulas e quase furava a folha do caderno com a ponta do lápis, quando ia apagar a letra errada com a borracha, quase rasgava a folha.
Com tanto medo da professora, eu, muitas vezes, queria ficar em casa, mas Dona Maria pegava um chinelo ou vara de guaxima e ameaçava dar uma surra. Imediatamente, eu pegava o caderno e o lápis colocava no embornal e logo subia o morro perto de casa rumo a escola. Aos poucos fui acostumando com a professora e fazendo novas amizades, isto foi criando em mim o desejo de estudar sempre. O novo colégio ficou pronto e inaugurado no dia 21 de abril de 1969. No segundo ano, eu já não falava mais “bodeca”, mas boneca e gostava muito de declamar poesias. Guardo com emoção a lembrança de todos os colegas que estudaram comigo nos primeiros anos do ensino fundamental, assim como as professoras: Daizi, Eni, Delma e Marli.

Ermindo Rapozo de Assis

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Sinto me pequeno diante da missão.





Não sou nenhum superdotado, não me sinto cheio de dons especiais, não sou nenhum super homem. Sou apenas um ser frágil e mortal que carrega suas tristezas e alegria. Será que possa contar com alguma ajuda especial diante da grandiosidade da missão que tenho pela frente?
Ó meu Deus, como sinto tão pequeno diante de tua presença! Quando penso em tudo o que me espera, percebo o meu coração palpitar pela tua ajuda, tão necessária para o cumprimento de minha missão. A vocação sacerdotal é linda e cativante, mas a natureza humana é frágil e inconstante.
A realidade que me circunda está cheia de desafios e contradições de todo tipo: tem pessoas sofrendo a conseqüência dos vícios, existem doentes, tem corrupto e gente sem emprego e moradia. Como posso ser presença e sinal de teu amor misericordioso neste mundo tão marcado pela violência e injustiça?.......
Não me deixe sozinho e abandonado, venha em meu auxilio, Senhor!
Padre Ermindo Rapozo de Assis

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Homilia para Culto Ecumênico


Festival da diversidade Cultural – 07,08,09 e 10/10/2010
Homilia para Culto Ecumênico

Salmo 111, 7-8
Ele é fiel e justo em tudo o que faz;
Todos os seus mandamentos merecem confiança. Eles permanecem para sempre, pois se baseiam na verdade e na honestidade.
Rute 1, 1-19
A viúva Noemi manda suas noras, Rute e Orfa, voltarem para seu povo, mas Rute por livre vontade resolve assumir a fé e os costumes do povo judeu.

Lucas 17,11-19
O evangelista Lucas diz que os leprosos (portadores da doente da hanseníase) reconheceram Jesus como mestre e foram ao seu encontro, contudo ficaram a distancia.

Noemi respeita a cultura de suas noras e dá a elas a possibilidade de voltar para a casa de seus pais.
Rute livremente escolhe assumir a fé e a cultura dos judeus, com esta decisão ela ficou solidária com sua sogra Noemi, as duas estavam viúvas e sem ninguém para protegê-las.
Sabemos que, depois da chegada de Rute em Judá, ela se casou com um parente de seu falecido marido (Boaz) e está entre os antepassados do grande Rei Davi.
Podemos ter uma cultura diferente, pertencermos a igrejas diferentes, não falarmos o mesmo idioma, mas somos todos filhos e filhas do mesmo Deus Criador. Esta é uma verdade tão sólida e cristalina que não podemos duvidar.
Nosso Deus é único e verdadeiro, como diz o salmo 111: “Ele é fiel e justo em tudo o que faz; todos os seus mandamentos merecem confiança. Eles permanecem para sempre, pois estão baseados na verdade e na honestidade”.
Estamos nos alegrando neste final de semana com a nossa diversidade cultural, qual é mensagem que podemos deixar para o Brasil e para o mundo?
Acredito que nosso município, o mais pomerano do Brasil, tem em sua historia e cultura, sua maior riqueza. A nossa fé cristã veio de além mar, trazida por portugueses, italianos, alemães e pomeranos. Aqui nas terras capixabas já existia a cultura indígena e por causa da escravidão veio a cultura africana. Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas, por isso eu tenho certeza que a nossa diversidade cultural é muito bonita e com certeza é um presente que recebemos de Deus, o Senhor da história.
Quantos são os casamentos que serviram para unir famílias de costumes diferentes, quantos encontros que nos aproximam?
Infelizmente, acontecem também entre nós atitudes como discriminação racial, gerando preconceitos de todos os tipos. Até mesmo discriminação por causa de algumas doenças infecto-contagiosas.
Vejamos o relato do evangelista Lucas: Dez homens pedem a Jesus que os libertem da doença. Jesus conversa com eles e manda-os se apresentar ao sacerdócio para a purificação. Estes homens confiam em Jesus e são curados, entre eles tinha um samaritano, o único que voltar para agradecer.
A salvação que Cristo oferece está ao alcance de todos, judeus ou samaritanos, gregos ou romanos, escravos ou livres. Para isto basta reconhecer Jesus como único salvador. As manifestações culturais são diversas, mas a fé é única.
Católicos, luteranos, pentecostais, todos nós acreditamos e aceitamos os ensinamentos de Jesus Cristo como fonte de salvação para todos os povos. Aqui em Santa Maria, em vários momentos, celebramos esta fé comum. Estes momentos de celebração ecumênica reforçam para nossas igrejas a certeza de que somos irmãos na mesma fé em Jesus Cristo.
Acredito que juntos podemos crescer ainda mais em nossa fé e no compromisso com o Reino de Deus. Temos algumas diferenças, mas no principal estamos de acordo, só Jesus salva. Ele nos ensinou a viver na caridade, isto é no amor ao próximo como a nós mesmos. Mantendo acesa a chama de nossa fé, poderemos transformar o mundo levando a todos a mensagem de Jesus.
Todas as nossas manifestações culturais devem promover a harmonia e o bem estar de nossas famílias e comunidades. A agricultura, avicultura, nossa música, o artesanato, nossa política, nossa escola, nossas comunidades religiosas devem promover a dignidade de nossas crianças e jovens. Sejamos, portanto, cidadãos conscientes na condução do progresso de nosso município de Santa Maria de Jetibá.
Padre Ermindo Rapozo de Assis

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Qual é a Missão dos Cristãos no Mundo?



Estamos começando o mês de outubro com a beleza da primavera e os agitos da eleição para Presidente da República, Governadores dos Estados, Senadores, Deputados Federais e Estaduais. Esperamos que todos possam cumprir bem a sua missão de representantes do povo brasileiro; mas aqueles e aquelas que são os seguidores de Cristo pela graça do batismo estão cumprindo a sua missão de maneira consciente e responsável? Para responder a esta pergunta precisamos saber qual é mesmo a missão dos cristãos no mundo. Tenho certeza de que a nossa missão é a de levar a Boa Nova de Jesus aos povos, fazendo com que todos se tornem discípulos de Cristo, conforme lemos no Evangelho de Mateus “Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando- os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinado-os a observar tudo o que vos ordenei.”(MT 28,19-20).
Conforme acontece todo ano, a Igreja promove neste mês de outubro a campanha missionária, em 2010 traz como tema: “Missão e Partilha”, tendo os dia 23 e 24 de outubro reservado para coleta missionária em todas as comunidades católicas. Este gesto de partilha de nossas comunidades ajuda muitas comunidades católicas espalhadas em regiões de poucos missionários e muita pobreza, como é o caso de países da África e muitos municípios brasileiros na região da Amazônia. Existem padres, freiras e até mesmo leigos que vão para missão fora de suas terras, vão ao encontro dessa população sedenta de Deus e carente da atenção dos governantes. Temos notícias de que muitas comunidades ficam distantes dos centros urbanos e só recebem a visita do missionário de ano em ano, pois sãos muitos dias de viagem de barco para chegarem nestas vilas à beira dos rios.
Sejamos missionários através da nossa oração, da ação evangelizadora dos círculos bíblicos e com nossa contribuição generosa na campanha missionária.
Padre Ermindo Rapozo de Assis